Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Página Inicial > Notícias > Produção apícola envolve Campus e comunidade
Início do conteúdo da página Notícias

Produção apícola envolve Campus e comunidade

Projeto de extensão desenvolvido por servidores e estudantes beneficia moradores do Cinturão Verde de São Luís
  • Augusto do Nascimento
  • publicado 05/09/2017 23h24
  • última modificação 05/09/2017 23h24

Turma do curso de Apicultura durante a primeira colheita do mel maduro: saúde e geração e renda

Extraído dos favos nas colmeias, o mel de abelha enriquece nossa alimentação, e ainda tem perspectivas promissoras de ser comercializado e gerar renda. Fortalecendo a promoção desse setor produtivo, o campus do IFMA no bairro Maracanã, em São Luís, encerrou no fim de agosto a primeira turma do Curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) de Apicultor, oferecido a moradores da comunidade do Cinturão Verde, na Vila Sarney Filho I (próxima à rodovia BR-135). Focado na Agroecologia e com uma abordagem multidisciplinar, o projeto de extensão envolveu famílias de baixa renda, proporcionando sua capacitação e mobilização social através da oferta de oficinas e outros meios de formação, voltando-se inclusive para o cooperativismo e empreendedorismo.

As atividades práticas de conclusão do curso iniciaram com a primeira colheita do mel maduro, na quarta-feira (30), no apiário instalado na comunidade da Zona Rural da cidade. À colheita se seguiu o processamento final do produto para o envaze e consumo, na Casa do Mel, instalada no Campus Maracanã. Segundo a coordenadora do projeto de extensão e diretora-geral da unidade do Instituto Federal do Maranhão, Lucimeire Amorim Castro, a motivação para planejar e concretizar a iniciativa partiu do aumento do número de colmeias trazidas ao campus, e que já vinha superando a capacidade do parque apícola utilizado nas disciplinas ligadas à temática.

Durante a execução do projeto, os alunos matriculados apreenderam uma gama de conhecimentos, que incluiu biologia das abelhas, identificação de flores apícolas, técnicas de manejo e colheita do mel, pragas e doenças dos enxames, importância econômica, mercado e comercialização, finalizando com o aprendizado de culinária que emprega o mel como ingrediente. Lucimeire Amorim informou que o curso contou também com a instalação de um apiário na comunidade, apropriado pelos moradores juntamente com todo o equipamento para a realização das atividades práticas, e que será gerido por eles próprios após o fim do projeto. Quanto aos processos laboratoriais, os produtores em cooperativa utilizarão a estrutura disponibilizada pela Casa do Mel.

A diretora avaliou que o diferencial desse curso FIC foi justamente a abrangência do planejamento, que em sua carga horária (200 horas-aula) buscou acompanhar todo o ciclo de produção das abelhas, de cerca de um ano e meio. Em cada etapa se abordaram os procedimentos, métodos e técnicas da apicultura, que sofrem influência de fatores como mudanças meteorológicas ou queimadas. Outros aspectos diferenciadores apontados pela gestora foram a proposta de promover o senso de cidadania e cooperativismo entre os participantes, bem como o aparelhamento da comunidade para executar todas as atividades no apiário. Lucimeire Amorim se referiu ainda ao termo de cooperação entre o Campus Maracanã e a Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa) de São Luís, assinado em agosto, pelo qual se espera agilizar a emissão do Selo de Inspeção Municipal (SIM) para a Casa do Mel, e a consequente comercialização dos produtos apícolas em conformidade com os padrões técnicos e legais.

“As mulheres, principalmente, abraçaram o projeto, e sei que vão dar continuidade”, disse Lucimeire Amorim, destacando a capacidade feminina de repassar conhecimentos adquiridos aos demais integrantes da comunidade, multiplicando os resultados e favorecendo a sustentabilidade social, econômica e ambiental. Segundo a diretora, o sucesso da primeira turma de apicultores no Cinturão Verde reforça o compromisso de estender a iniciativa a outros grupos de moradores na área de abrangência do Campus Maracanã, com a formação de futuras turmas. Quanto às técnicas de manejo, ela informou que o Corpo de Bombeiros solicitou treinamento do campus para a captura e retirada de enxames, sem necessidade de destruir as populações de abelhas por meio de fogo ou inseticidas, e com isso contribuir para a ampliação da disponibilidade de apiários em São Luís.

Colheita e processamento

Durante a primeira colheita de mel nos apiários instalados na área do Cinturão Verde, o técnico em Agropecuária e servidor do Campus Maracanã, Edvan Marques da Cruz, liderou o grupo de apicultores: alunos do curso FIC, estudantes de graduação do Instituto engajados no projeto, e estagiários dos polos de ensino a distância nos municípios de Tutoia e Cururupu, matriculados no curso técnico subsequente de Agropecuária. Devidamente equipados, com macacões, calçados, luvas e máscaras apropriados, o grupo avançou no terreno isolado, onde se encontravam as caixas com mel silvestre. Logo que se iniciou a retirada dos quadros com méis maduros, o enxame entrou em ação, cercando os apicultores. As abelhas eram contidas pela fumaça lançada pelo fumegador, mas uma ou outra pessoa não teve como conter as inevitáveis ferroadas.

APICULTORES EM CAMPO E NA CASA DO MEL

De acordo com Edvan Marques, o apiário foi instalado em uma área de mangue, que conta com diversas floradas (vassourinha-botão, jamari, xanana, dentre outras) durante praticamente todo o ano. Ao contrário das floradas sazonais, como o caju, essa diversidade favorece a produção do mel de forma quase ininterrupta. O técnico apontou ainda aspectos adversos para a atividade produtiva, como a destruição e perda de caixas coletoras, assim como prejuízos decorrentes do uso de agrotóxicos, chuva e queimadas nas proximidades do apiário. Nesses casos, foi preciso que os apicultores fizessem a alimentação das abelhas artificialmente e suspendessem a colheita.

O MEL: DO APIÁRIO AO ENVAZE

“As boas práticas já começam na hora da retirada e do transporte, e vão até a embalagem”, considerou Edvan Marques, alertando também para os cuidados a se tomar para evitar contaminação pela toxina expelida na eventual picada dos insetos. Na chegada à Casa do Mel, o produto extraído foi isolado em uma sala especial, enquanto os apicultores fizeram a assepsia pessoal, dos materiais e equipamentos. No laboratório, a equipe fez a desoperculação dos quadros (remoção dos opérculos que cobrem os favos, a fim de atingir o mel maduro), centrifugação, filtragem e decantação do mel. O técnico agropecuário explicou que a apicultura fornece uma variedade de produtos, além do mel, dentre os quais própolis, cera, geleia real, pólen, e um subproduto similar à cachaça, denominado hidromel.

PROCESSO NA CASA DO MEL, APÓS A DESOPERCULAÇÃO

Moradora no Cinturão Verde, Eridan Vieira da Silva concluiu o curso com boas expectativas de transformar as técnicas aprendidas em fonte de renda para si e a comunidade. Ela disse que, antes do curso FIC, não havia sequer pensado em trabalhar com apicultura, e tinha medo de aproximar-se das abelhas. Com o tempo, passou a ter interesse pela atividade, e afirmou que até já se acostumou com as ferroadas. Egressa do curso técnico de Agropecuária no Campus Maracanã, Abilene Michelly da Silva Medeiros também reside na comunidade, e decidiu matricular-se no projeto de extensão para ampliar os conhecimentos da produção apícola, antes restritos à disciplina oferecida no curso. “É uma experiência densa, porque estamos no dia-a-dia e aprendemos”, relatou ela, admitindo que antes se apavorava com as abelhas, tendo chegado a recusar diversos convites para a criação de um apiário. Hoje, a aluna disse ter como principal objetivo expandir a apicultura no Cinturão Verde.

Na cidade de Tutoia, região dos Lençóis Maranhenses, Janaína Cristine Matos da Silva frequenta o polo de ensino a distância do IFMA, que oferece o curso subsequente de Agropecuária. Ela relatou que encontrava dificuldades para deslocar-se aos apiários que funcionam em povoados distantes. Segundo a estudante, que a princípio pretendia dedicar-se profissionalmente à criação de suínos, a atividade prática durante uma visita técnica ao Campus Maracanã foi crucial para despertar a vontade de aprofundar-se na apicultura. “Logo no primeiro dia me apaixonei, e não saí mais daqui”, disse ela, recordando que o contato inicial com as abelhas decorreu da participação voluntária na retirada de um enxame em uma casa de força. Janaína Matos pretende desenvolver um apiário em Tutoia, onde segundo ela a atividade ainda é pouco explorada.

Estudante do curso superior de Tecnologia de Alimentos, Thamys Polynne Ramos Oliveira foi convidada para participar do projeto depois de ter cursado a disciplina de tecnologia de produtos apícolas, na qual encontrou a motivação para estudar o tema com afinco. A estudante já participou de eventos científicos com a exposição de produtos oriundos do mel, e afirmou a satisfação pessoal de compartilhar o conhecimento científico e tecnológico com as comunidades, através de iniciativas de extensão. “A perspectiva é que futuramente a comunidade consiga se desenvolver e continue com o projeto”, avaliou Thamys Oliveira, ressaltando que experiências similares enriquecem o currículo de quem participa, mas também engrandecem as relações interpessoais e humanas.

Fim do conteúdo da página