Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Página Inicial > Notícias > Seminário discute papel e desafios da Educação do campo
Início do conteúdo da página Notícias

Seminário discute papel e desafios da Educação do campo

Evento foi promovido pelo Campus São Luís – Maracanã no município de Pedro do Rosário.
  • Maycon Rangel
  • publicado 19/09/2017 11h15
  • última modificação 19/09/2017 11h15

Mesa de abertura do seminário

Na sexta-feira (15), o município de Pedro do Rosário, na Baixada Maranhense, foi o palco do I Seminário Itinerante sobre Educação do Campo no Maranhão. O evento foi promovido pela coordenação do curso de Licenciatura em Educação do Campo (PROCAMPO) do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Campus São Luís – Maracanã e pelos alunos do curso residentes no município e contou com a participação de mais de 170 pessoas, entre professores da rede municipal de Ensino Básico, gestores educacionais, gestores municipais, vereadores e secretários, lideranças comunitárias e sindicais, representantes de movimentos sociais, alunos do Procampo residentes em Pedro do Rosário e no entorno, alunos do Ensino Médio, pais de alunos e pessoas da comunidade em geral.

Durante a abertura, a coordenadora de Programas e Projetos do Campus Maracanã, Jandira Sousa, que representou a diretora-geral Lucimeire Amorim, agradeceu a mobilização dos estudantes na organização do evento, que busca compartilhar experiências e saberes na Educação do campo. O secretário de Administração, Rony Borges, representando o prefeito Raimundo Antonio Borges, mencionou que a formação em Educação do Campo vai trazer muitos ganhos sociais e econômicos para o município.

A presidenta da Câmara Municipal de Pedro do Rosário, Leidiana Costa, ressaltou que é papel do Poder Público garantir uma educação de qualidade a toda a população, considerando também as especificidades do meio rural. Já o estudante do Procampo Gilberto Costa reiterou a importância do evento para discutir os modelos educacionais e defender a importância dos investimentos na Educação.

A mesa de abertura foi composta também pelo coordenador do Procampo Campus Maracanã e coordenador-geral do evento, Elias Oliveira; pela coordenadora do curso de Agroecologia, Sandra Duarte; pela representante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pedro do Rosário (STTR), Rosângela Gonçalves; pelo representante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar, Nivaldo Ramos; pelo representante do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública Municipal, José Gomes; pelo representante da Igualdade Racial dos Povos Remanescentes de Quilombo, Procópio Silva; e pelo coordenador da Casa Familiar Rural de Alto Alegre do Pindaré e representante do Instituto de Representação, Coordenação e Assessoria das Casas Familiares Rurais do Maranhão (IRCOA), Francisco Lima.

 

Conhecimento: na sala de aula e no campo

A palestra de abertura Educação do campo e a pedagogia da alternância foi ministrada pelo professor Elias Oliveira e pelo representante do Instituto de Representação, Coordenação e Assessoria das Casas Familiares Rurais do Maranhão (IRCOA), Francisco Lima.

O professor Elias Oliveira apontou as características do modelo de desenvolvimento excludente, marcado pela concentração da terra, da renda e da riqueza; internacionalização da agricultura; insegurança alimentar crescente; violência e exploração do trabalho; e devastação ambiental e impunidade. “O Brasil tem 851 milhões de hectares de terra, dos quais 553 milhões são agricultáveis. Contudo, o que predomina é o agronegócio, representado pelo Estado, pelas grandes corporações internacionais e pelo latifúndio. Nós somos um país onde a questão agrária ainda não foi resolvida, o que justifica a concentração de terras e a violência no campo”.

Segundo ele, a Educação do campo surge como parte de uma estratégia de transformação do campo, a partir da resistência protagonizada pelos movimentos sociais e sindicais. “A Educação do campo se direciona àqueles que estão vinculados à vida e ao trabalho no meio rural: camponeses, quilombolas, indígenas, povos tradicionais, ribeirinhos e diversos tipos de assalariados. Ela se baseia na pedagogia da alternância, em que o aluno passa um tempo na escola, onde reflete sobre as práticas produtivas de sua comunidade, e um tempo na comunidade, onde vivencia experiências e produz conhecimento. Teoria e prática se relacionam o tempo inteiro e têm como objetivo a emancipação social e econômica”.

O senhor Francisco Lima apresentou o histórico das Casas Familiares Rurais e Escolas Famílias Rurais, espaços que se utilizam da Pedagogia da alternância como método de aprendizado e integração entre as populações campesinas. De acordo com ele, a Pedagogia da alternância surgiu na França entre 1935 e 1937, com a denominação Casa Familiar Rural e, no Brasil, a primeira experiência foi no Espírito Santo em 1968, com a criação da primeira Escola Família Agrícola. “As Casas Familiares Rurais e Escolas Famílias Agrícolas se estruturam em quatro pilares: a alternância como metodologia pedagógica adequada; uma associação local, composta por profissionais, famílias, profissionais e instituições; a formação integral das pessoas (projeto profissional); e o desenvolvimento dos meios locais socioeconômico, humano e político”.

A pedagogia da alternância, segundo Francisco Lima, deve se pautar numa “educação do campo, no campo e para o campo”, construída a partir do protagonismo dos atores do meio rural. “São três momentos integrados: a observação no meio sócio profissional, a reflexão no meio escolar e a experimentação, também no meio sócio profissional”.

 

O curso de Licenciatura em Educação do Campo

A professora Jandira Sousa apresentou ao público o histórico do curso de Licenciatura em Educação do Campo do IFMA Campus São Luís – Maracanã. Atualmente, o curso se divide em três habilitações: Ciências Agrárias, Ciências da Natureza e Matemática. “O objetivo é ofertar curso de Licenciatura em Educação do Campo para educadores e educadoras que atuam na Educação Básica nas escolas do campo, visando à formação técnica, política e humana, considerando as especificidades culturais, éticas, políticas, sociais e ambientais do campo”. O egresso pode atuar no Ensino Fundamental, Ensino Médio e na Educação Profissional.

A professora detalhou o funcionamento do curso e teceu comentários sobre os desafios da gestão do campus, pela coordenação do curso e pelos alunos, devido à crise econômica e política no país, mas reiterou que há garantias de finalização das três turmas que estão em andamento. Ela também apontou conquistas do curso: “Alcançamos a nota 4 na avaliação do MEC/Inep numa escala que vai de 0 a 5. Outra conquista foi o Edital nº 003/2016 Seduc, do Governo do Maranhão, que contemplou vagas para professores na área de Educação do Campo e deve servir como parâmetro para futuros concursos municipais”.

 

Propostas

Grupo de trabalho discute propostas para a Educação do campo

Na segunda parte do seminário, os participantes foram divididos em grupos de trabalho, que refletiram e discutiram sobre os seguintes aspectos da Educação do campo no município de Pedro de Rosário: 1) Gestão e Práticas Pedagógicas; 2) Formação Inicial e Continuada de professores; e 3) Infraestrutura física e tecnológica das escolas. As propostas dos GTs serão sistematizadas e vão contribuir para a construção da “Carta de Pedro do Rosário em defesa da Educação do campo”.

 

Galeria de fotos

Mais fotos

Fim do conteúdo da página