Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
  • Acessibilidade
  • Alto Contraste
  • Mapa do Site
  • PortugueseEnglishSpanishChinese (Simplified)FrenchGermanItalian
Página Inicial > Notícias > Notícias (Destaque Foto Grande) > Técnica que incrementa em 500% produtividade de ovos caipira é apresentada em encontro no Maracanã
Início do conteúdo da página Notícias

Técnica que incrementa em 500% produtividade de ovos caipira é apresentada em encontro no Maracanã

  • Romulo Gomes
  • publicado 22/11/2019 18h01
  • última modificação 22/11/2019 18h07

Modelo de produção de ovos caipira foi elaborado pelo professor Antônio Tomaz Vasconcelos

Quando uma galinha caipira é criada da maneira tradicional, ela consegue botar, no máximo, 60 ovos, por ano. Mas, se a criação seguir critérios técnicos e com o manejo adequado, é possível aumentar a produção para 300 ovos anuais. O incremento é de 500%. As técnicas para alcançar essa produtividade foram elaboradas pelo pesquisador do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Maracanã, Antônio Tomaz Vasconcelos, que divulgou os resultados dos seus experimentos no II Encontro de Produtores de Ovos Caipira com Sustentabilidade na Agricultura Familiar. O evento aconteceu nos dias 15 e 16 de novembro, reunindo pequenos produtores rurais, no campus.

Até o início dos anos 2000, segundo o pesquisador, o Maranhão produzia ovos brancos (granja) em larga escala, mas esse nicho de mercado deixou de ser explorado no Estado. Atualmente, a maior parte do ovo comercializado por aqui vem de outros estados do país. “Temos a tradição de produzir ovo caipira, com galinha solta, herdada dos nossos avós, só que a produção é muito pequena. Trabalhando dessa forma, não teríamos produção suficiente para abastecer as cidades”, avaliou o professor Tomaz, que é mestre em Agroecologia.

Ele dedicou quatro anos de pesquisas para elaborar um modelo de produção de ovos caipira que pudesse ser mais competitivo. Essas técnicas foram reunidas no livro “Produção de Ovos Caipira com Sustentabilidade na Agricultura Familiar”, lançado em 2017, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (Fapema), e também estão sendo difundidas nos encontros anuais com pequenos produtores. No evento do final de semana passado, foi apresentado todo o ciclo produtivo desse modelo inovador.

Para usar o modelo construído pelo professor Tomaz, é preciso ter dois aviários. Em um, ficam as galinhas poedeiras, que vão botar os ovos. No outro, ficam as aves utilizadas para reprodução. Os ovos desse outro aviário não serão comercializados. Eles vão para a chocadeira até o nascimento de novos pintinhos. “É preciso fazer esse trabalho de reprodução, senão os produtores vão ficar sempre dependentes de comprar pintos, todos os anos. Todo o ciclo deve ser sustentável”, ressaltou o professor.

Essas técnicas são experimentadas no próprio sítio do professor, que fica localizado a 1 km do IFMA – Maracanã. No segundo dia do encontro, foi realizada uma visita técnica e os participantes acompanharam o funcionamento da chocadeira, o nascimento de pintinhos e a limpeza do galinheiro. “Um detalhe importante desse sistema é que não usamos água dentro dos aviários, para evitar a mistura com fezes e urina. O melhor é ter a água fora das instalações em que as galinhas dormem e vivem”, destacou. Os pontos de água ficam do lado de fora dos aviários. Na área externa, também há piquetes com frutíferas, para ajudar na ingesta de sais minerais e vitaminas e no sombreamento.

O modelo inclui técnicas de reprodução, para garantir sustentabilidade

Ração

O modelo criado pelo pesquisador também inclui um tipo de ração específico para aves caipiras poedeiras. Na produção comercial das chamadas galinhas de granja, são utilizados pelo menos quatro tipos de ração: pré-inicial, inicial, crescimento e postura. Às vezes, ainda são usadas as rações postura 1 e 2. Trabalhar com essa variedade poderia tornar mais difícil o processo para quem mora no interior. A ração formulada por Tomaz, feita com soja, milho e farelo de ostra, é indicada para todas as fases das poedeiras caipiras.

Construção de chocadeira

O professor Ariston Pinto Santos ensinou como montar uma chocadeira. Já o técnico em Agropecuária da empresa Damabla (e ex-aluno do campus), Alexandro Meireles Figueiredo, deu dicas sobre limpeza, temperatura adequada, desinfecção e explicou detalhes, como a necessidade de o equipamento ser desligado três dias antes do tempo previsto para a eclosão dos ovos. É recomendado fazer assepsia constante dos ovos que estão sendo chocados e retirar os quebrados, trincados ou que estejam fora do peso adequado. Na programação do encontro, foram trabalhadas, ainda, técnicas de higiene e conservação dos ovos para a alimentação, em aula ministrada pela professora Daniela Brito.

“Esse projeto tem uma grande importância para o nosso Estado. Primeiro, porque esses ovos podem servir para a alimentação do agricultor familiar. Ou seja, ele tem ovos para o consumo, tem a galinha e tem esterco para produção das frutas, verduras, que compõem as atividades da agricultura familiar”, afirmou o professor Tomaz.

O intercâmbio de conhecimentos continua, mesmo depois do encontro, ajudado pelas tecnologias digitais. Em um grupo de WhatsApp, conseguem pedir orientações quando os animais estão doentes. Já houve casos de um colega pedir comprar remédios, em São Luís, para as galinhas criadas num município do interior. O grupo já entendeu que a produção de todos fica mais fortalecida quando trabalham juntos.

Colaboraram nesse projeto o professor Jeovani Machado Rodrigues, que é diretor de Desenvolvimento Educacional, do Campus Maracanã, e os estudantes do curso de Zootecnia Anatiele Sousa Araújo, Laila Caroline Lima Cantanhede, Moises Henrique Braga Moraes, Nyeslen Christiny Oliveira Coelho, Ranjef Carneiro Araújo, Sylvia Lizandra Lima Coqueiro e Isaac Newton Souza Passo.

 

Fim do conteúdo da página