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Campus Maracanã leva formação em piscicultura para comunidade quilombola de Bequimão

  • Romulo Gomes
  • publicado 05/02/2020 18h26
  • última modificação 06/02/2020 09h42

Professoras explicam características do peixe

Em 2019, pesquisadores do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Maracanã visitaram as comunidades remanescentes de quilombos do município de Bequimão, distante 54 km da capital São Luís, para a elaboração de um diagnóstico socioeconômico e ambiental. Nesse levantamento, que registrou dados sobre indicadores demográficos, renda e gestão do lixo, por exemplo, também se buscou saber quais eram as demandas dos quilombolas por formação técnica. A proposta era identificar as necessidades de treinamentos e depois retornar às comunidades para ofertar cursos. Em 2020, ainda era período de férias acadêmicas quando a equipe do Núcleo de Maricultura (Numar), responsável pelo projeto, cumpriu a promessa de voltar aos quilombos, dando início às capacitações com um Curso de Piscicultura, realizado nos dias 23 e 24 de janeiro, no povoado Rio Grande.

O interesse pela criação de peixes apareceu nos questionários de moradores de oito das onze comunidades remanescentes de quilombos do município. Muitos daqueles que demandaram essa formação já trabalham com a atividade, mas sentem falta de aprimoramentos, porque alguns erros no cultivo têm resultado em prejuízos. “Tive perdas por causa da falta de oxigênio na água. A vazão de um poço que eu fiz para abastecer um açude não era suficiente. São tantas coisas em relação ao açude que eu não sabia antes, mas estou conseguindo aprender através deste curso”, reconheceu a piscicultora Gaudina Lemos, uma das 22 participantes.

Para ministrar o Curso de Piscicultura, a coordenadora do projeto, professora Izabel Funo, convidou a engenheira de pesca e professora do Instituto Estadual do Maranhão (IEMA), Regiane Almeida. De forma colaborativa e participativa, as duas falaram sobre seleção de área, construção de tanques e viveiros, seleção das espécies para cultivo, manejo de estocagem, qualidade da água e manejo nutricional. “A parte nutritiva, a ração, corresponde a mais de 70% dos custos. Então, ter essa noção do quanto administrar de ração por dia é extremamente importante para que os produtores possam conseguir manter a atividade da piscicultura”, enfatizou Regiane, que tem mestrado em Oceanografia.

As pisciculturas da própria comunidade serviram de laboratório para as demonstrações práticas, que aconteceram no segundo dia do curso. Os olhares já estavam mais aguçados para observar detalhes dos viveiros. Orientados pelas professoras, os participantes avaliaram o tipo de solo do local onde os açudes foram escavados; analisaram a parte hidráulica, com atenção às tubulações montadas para drenagem e escoamento da água; e depois verificaram parâmetros da água, como o pH, transparência e presença de oxigênio. Também foi feita a biometria de alguns peixes, medindo peso e tamanho.

“Esse controle ajuda a saber como o peixe está se desenvolvendo, de acordo com o ciclo produtivo. O ganho desses produtores, em dois dias, é que a gente conseguiu passar bastante informações técnicas. Eles vão poder desenvolver a atividade tendo retorno melhor no empreendimento deles”, garantiu a engenheira de pesca. “Estou aprendendo muitas coisas boas. Eu tinha um tanque, fui botando peixes assim por conta, porque era só para eu comer. Neste curso, estou aprendendo muitas coisas boas, como escavação do tanque, cuidar da água, medição. Nem sei quanto o meu tem de largura e fundura. Mas agora quero botar para ganhar dinheiro”, falou, decidida, a piscicultora Telma Rodrigues.

Tecnologias de produção nas comunidades quilombolas

A atividade realizada no povoado Rio Grande faz parte do projeto de extensão “Difusão Tecnológica da Aquicultura em Comunidades Remanescentes de Quilombos, no município de Bequimão/MA”, desenvolvido pelo Núcleo de Maricultura (Numar), do IFMA – Campus Maracanã, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), com apoio da Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial.

Colaboram nesse trabalho os alunos Paulo Protásio (bolsista Fapema/PIBIC), estudante da Licenciatura em Ciências Agrárias (que está escrevendo monografia sobre essa experiência), e Edivânia Silva (bolsista Fapema/PIBIC Jr.), aluna do Curso Técnico em Aquicultura. A partir dos dados levantados em Bequimão, já foram produzidos dois artigos científicos, apresentados em congressos locais e internacionais.

“A proposta da Prefeitura de Bequimão é apoiar o trabalho realizado pela instituição de ensino, pesquisa e extensão, que é o IFMA, valorizando os costumes e saberes locais, com o apoio técnico e com as inovações que o Instituto traz ao município com esse tipo de curso”, afirmou o secretário municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Rodrigo Martins, que acompanhou toda a capacitação. Também participou de todo o treinamento o vice-prefeito Sidney Nogueira (Magal).

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