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Nos últimos 10 anos, 31 indígenas ingressaram em cursos técnicos do Campus Maracanã

Política de Assistência Estudantil e bolsas para participação em projetos de pesquisa e extensão têm contribuído para a permanência de estudantes indígenas no Campus Maracanã.
  • Romulo Gomes e Ananda Reis (estagiária)
  • publicado 19/04/2021 20h47
  • última modificação 19/04/2021 20h48

Diretor geral, Jeovani Machado Rodrigues, e chefe do Núcleo de Registro Escolar, Keuly Fabiane, entregam diploma ao indígena Jackson Alma Canela

No dia 2 de fevereiro deste ano, o indígena Jackson Alma Canela saiu da aldeia Canela, no município de Fernando Falcão, em direção à capital São Luís, para buscar seu diploma de técnico em Agropecuária. Foram 543 km percorridos até voltar ao Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Maracanã, onde encontrou, oito anos atrás, a oportunidade de seguir seus estudos e ampliar sua formação. Assim como ele, outros 30 indígenas cursaram o Ensino Médio/Técnico no campus, nos últimos 10 anos.

Os primeiros indígenas a ingressar no campus tornaram-se referência para os demais. “Leonel e Romário, esse pessoal mais velho que já estudou lá, abriram essa porta para outras pessoas como eu, Celso, Cadete, Joseli, Dário e outros”, reconheceu Jackson Canela.

Em 2012, foram matriculados dois indígenas. No ano seguinte, entraram mais cinco no Campus Maracanã. Em 2014 e 2015, foram duas matrículas, um em cada ano. Mais sete se matricularam em 2017 e dez em 2018. Em 2019, chegaram mais quatro e, em 2020, mais um. Nessa década, 31 alunos indígenas se formaram no campus.

Para dar condições de permanência desses estudantes na instituição, foram construídas políticas de assistência, como a Residência Estudantil, que garante auxílio a moradia e alimentação (café da manhã, almoço e janta) e bolsa no valor de R$ 120,00. Quem participa de projetos de pesquisa e extensão também pode receber outra bolsa.

“No período de pandemia do novo coronavírus, como a maioria é aluno do EJA, fizemos o pagamento da bolsa assim que foram iniciadas as atividades pedagógicas não presenciais. A maioria também concorreu e recebeu o Auxílio Inclusão Digital, no valor de R$ 520, para a compra de tablet e o acesso à internet. Outros receberam o valor de 120 reais, que foi pago até o mês de abril, apenas para o acesso à internet. No ano passado, foram abertos dois editais para o Auxílio Emergencial, com duas parcelas de R$ 180, e nós conseguimos levar esse benefício até os nossos alunos indígenas”, destacou o professor Arnaldo Cunha, chefe do Departamento de Assuntos Estudantis.

Esse tipo de apoio ajudou Jackson a concluir o curso. Ele chegou a trancar o curso por duas vezes, para cumprir os rituais e as responsabilidades do casamento. Mas, depois, o agora técnico em Agropecuária retornou ao Campus Maracanã e terminou sua formação no Ensino Médio. “Minha família sempre acreditava nesse estudo e agora eu consegui. Estou com diploma na mão e é só gratidão. Cheio de alegria com essa conquista”, orgulha-se Jackson Canela, que já sonha em cursar Medicina Veterinária.

“Quando se busca incluir indígenas, é necessário compreender a cultura deles. Em alguns momentos, por exemplo, eles precisam se ausentar do campus para que possam participar de rituais importantes. Nós garantimos a ida dos nossos alunos indígenas, sem prejuízo nas atividades pedagógicas, até para que eles não percam o vínculo com suas comunidades e com sua cultura. É uma forma de a gente entender e participar”, enfatizou o diretor geral do Campus Maracanã, Jeovani Machado Rodrigues.

Estudos indígenas

Mais suporte aos estudantes é ofertado pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), por meio do projeto “Intercâmbio da Língua do Tronco Linguístico Macro-jê Canela com a Língua Portuguesa”. Alunos indígenas ensinam sua língua para os que não são indígenas e vice-versa. “Com isso, oferecemos muitas experiências para todos e damos oportunidades para que eles apresentem seus trabalhos nas oficinas realizadas dentro e também fora do instituto”, explicou a professora Socorro Botelho, do Neabi.

Além desse trabalho mais específico, o Núcleo tem orientando quanto ao cumprimento da lei 11.645/2008, que regulamenta o artigo 79B da LDB/96, sobre a implementação dos estudos indígenas nos conteúdo das disciplinas. “A educação escolar indígena exige de todos os profissionais da educação aprofundamento científico sobre a educação escolar indígena. A trajetória de luta que eles travam para resistir e defender a demarcação de sua territorialidade deu-lhes a consciência da necessidade de buscar novos conhecimentos”, ressaltou a professora Socorro Botelho.

O IFMA – Campus Maracanã promoveu, ainda, formações pedagógicas sobre a temática indígena e com enfoque na Educação de Jovens e Adultos. Nesses treinamentos, os profissionais do campus foram instruídos em relação aos materiais didáticos e à necessidade de adequação da linguagem, de forma a facilitar a compreensão de textos científicos por estudantes que, em alguns casos, passaram muitos anos fora do ambiente escolar.

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